O homem dos meus pesadelos
Se tem uma coisa boa em mim, dentre tantas, é a minha forma de comunicar verbalmente, agora em três idiomas, português, inglês, holandês. Quando alguém chega pra mim, e normalmente diz. Cuidado, ele (só) quer te levar pra cama. Eu fico pensando, em que ano que esta pessoa parou pois me refiro a liberdade sexual da mulher, liberdade de expressão, e emancipação feminina, Se eu começo algo com alguém, essa pessoa em questão um homem, tem a ‘obrigação’, e fique bem claro aqui de querer ter sexo comigo (mentalmente), me achar linda, atraente, inteligente, interessante e por aí vai. Senão eu já nem começo. Relacionamento platônico entrará em um outro contexto, pois qualquer maneira de amor vale a pena como dizia a canção.
Pois bem. Dois anos atrás (2014), eu ‘separei’ do meu ex porque ele separou de mim, ia embora pra nunca mais voltar e, nessas idas/vindas dele, porque eu jamais quis me separar dele, apenas no ‘la la end’ (28 janeiro 2017), mas aí foi por outro motivo. Eu fui pro Tinder por pura curiosidade, não lembro se foi a primeira vez, mas acho que foi sim oficialmente digamos assim, e dentro de vários profiles lá eu encontrei um perfil muito interessante, de um cara um GATO diga-se de passagem, um dinamarquês que mora em Copenhagem e trabalha na Holanda. Quanto mais pra cima, mais o tchan. O gato só falava em sexo, etc etc…e falava pouco sobre outro assunto, e aquilo que tinha me atraído no cara, o sex appeal todo, se transformou em algo muito boring. Que cara chato, e acabei esquecendo ou deletando a criatura e voltei pro meu namorado, claro, não por esse motivo, e esqueci que a figura existia.
Dois anos se passaram lá estou eu em Copenhagem junto com meus amigos, um deles frequentador assíduo do http://www.grindr.com/ e pra ver como era o mercado masculino hetero, deletei várias fotos, e entrei no aplicativo Tinder. Pra ver de perto a caça de hoje em dia e na Dinamarca. No mar de lindeza escandinava e estilo, e como são bonitos, mais que os holandeses, e vejo quem? quem? O mesmo bofe de sempre, e suas fotos, algumas ainda de 2 anos atrás e penso, nossa esse cara não desiste da mulherada. E deu no que deu, novamente ‘match’, eu era o tipo do cara, e ele meu tipo. Imediatamente ele me convidou: venha aqui em casa! No que disse. Tu tá doido cara? Tá um frio do cão, e eu estou de férias na casa de amigos, nem sei onde é, e a lei número 1, jamais aceitar balas de estranhos, ou seja, ir em locais privados com estranhos, nem morta. Eu pago o táxi, ele disse! Eu já me sentindo uma ‘call girl’, dessas desesperadas porque a maquiagem está acabando ou aluguel vencido. Tu tá doido, desiste! Não vou. Então venha na estação de trem central, pelo menos pra me ver, digo outro sonoro NÀO, e falo. Você trabalha na Holanda, a gente se vê por lá, estou sem tempo de “F” com você? Quem disse que eu quero “F” com você, estou buscando um ‘partner’. Achei aquele partner muito conversa pra boi dormir, dois anos procurando um partner? E marquei com um outro professor de filosofia, uma graça num bar super cool que meus amigos me levaram e se chama Mandela. No Mandela chega o gatinho e ficamos horas conversando, até que resolvemos ir embora, ele pega a bike dele, eu a minha, e mais tarde recebo um convite romântico, por whatsapp: Você é doce e adorável, venha amanhã na minha casa fazer amor comigo. Achei muito fofo, pensei de onde sai uma pessoa romântica assim no século XXI, mas pelo papo que tivera com ele algumas horas no bar, me pareceu um sujeito bem caliente.Confabulei com os meus amigos, tinha gostado do cara, mas não estava preparada corporalmente para um avanço assim, afinal são 7 longos anos com uma mesma pessoa, e tirar a roupa pra qualquer um, pelo menos tenho que estar mais segura de mim, e ainda não estava. Declinei elegantemente o convite e o convidei pra conhecer a minha cidade num futuro. De preferência nunca, pois quando o trem passa, ele passa, e o que nos resta é esperar o próximo
Aqui chegando dias depois começo um chat estranho com o Dina, como apelidei o dinamarquês gato, pois ele se chama Johnny. Papo estranho vem, papo estranho vai, aliás pouquíssimo papo, ele me manda uma foto estranha, de algo volumoso debaixo de lençóis, sem cabeça, assim deitado, com o comentário: você vai gostar. Vendo a protuberância debaixo dos lençóis fiquei animada, quem não curte uma neca odara? Mas ao mesmo tempo, ainda estou me sentindo virgem, no caso, estranha e ainda ligada ao meu ex, mesmo que não estejamos mais juntos. E lá vem o cara praticamente todos os dias fazendo propaganda que ele era um amante maravilhoso. No que um dia eu me irrito e digo, cara…para com isso, deleto todo o chat dele do whatsapp, e começo a me engraçar com um fofo, mas bem baixinho (mais que meu ex), e esqueço esse tal Dina. Do baixinho vou falar outra hora. É passada uma semana, recebo um convite novamente do Dina assim: Quer encontrar comigo? E respondo, porque deveria?
- Não és obrigada, só se você quiser.
Cara você é muito estranho.
Ei ei moça, você não me conhece, como podes me julgar?
Bom, está certo, não te conheço, mas você aparece e desaparece. Não sei se ainda estou interessada, não gosto de gente dissimulada. Acabei um relacionamento recentemente e…
Acabou quando? Em janeiro?
Em janeiro? Mas é muito recente.
Ué, o problema é meu…sim, mas você quer me usar pra esquecer esse seu ex. Tem certeza de que acabou o relacionamento.
Eu não tenho certeza de nada sobre o futuro, o que tenho feito é evitar o contato com a pessoa, claro que ainda gosto dele, é normal, ficamos 7 anos juntos.
Acho melhor esperar ele diz…até você ter certeza?
Esperar o que? Você quer transar comigo, né não?
Eu? Estou procurando um partner.
Papo vem, papo vai ele diz que adora o meu jeito, o meu cabelo, a minha boca, a minha inteligência e assertividade.
Falo pra ele, que não sou uma pessoa cordata, sou eu, falo o que bem entendo, e não gosto de fazer tipos, nem que mandem em mim.
E assim começou a guerra entre nós de gato e rato.
Cenas do próximos capítulos outro dia, pois estou com sono.







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